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Sistema de pâncreas artificial ajuda a controlar diabetes em crianças

Em experimento com participantes a partir de 6 anos, sistema aumentou em duas horas diárias o período em que a glicose se manteve em níveis adequados

Crédito: Click_and_Photo

Um novo sistema  artificial que simula o pâncreas,  capaz de monitorar e regular automaticamente os níveis de glicose, se mostrou  seguro e efetivo na administração dos níveis da glicose no sangue num experimento com  crianças com seis anos de idade com diabetes de tipo 1. O ensaio, que envolveu quatro centros de controle de diabetes pediátrico, foi financiado pelo Instituto Nacional da Diabetes e Doenças Digestivas e Renais (NIDDK), parte do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. Os resultados do ensaio foram publicados no dia 26 de agosto na revista New England Journal of Medicine.

“Usando os tratamentos atuais, menos de uma em cada cinco crianças com  diabetes tipo 1 conseguem manter com sucesso a glicose em níveis saudáveis. Isso pode ter consequências graves a longo prazo para a sua saúde e sua qualidade de vida”, disse Guillermo Arreaza-Rubín, médico, diretor do Programa de Tecnologia de Diabetes da NIDDK e cientista encarregado do estudo. Pesquisas anteriores já mostraram que o sistema era seguro e efetivo em  pessoas com 14 anos ou mais.  

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O pâncreas artificial, também conhecido como controle de circuito fechado, é um sistema completo para  administração da diabetes que interpreta os níveis de glicose sanguínea utilizando um monitor de glicose contínua (CGM), e quando necessário automaticamente injeta a insulina, utilizando uma bomba de insulina. Esse novo sistema se propõe a substituir o método tradicional, que se baseia no uso de testes de sangue retirado do dedo, e no qual a insulina é ministrada através de múltiplas injeções diárias, ou por uma bomba controlada pelo paciente ou pelo seu cuidador. 

O estudo envolveu 101 crianças entre 6 e 13 anos, que foram distribuídas entre o grupo experimental, que utilizou o novo sistema de pâncreas artificial, e o grupo controle que se utilizou do  CGM e de bombas separadas de insulina. As avaliações e a coleta de dados foram conduzidas semanalmente durante quatro meses. 

 O estudo descobriu que, durante o dia, os jovens que utilizaram o pâncreas artificial apresentaram uma melhora de 7% na manutenção da glicose sanguínea nos níveis desejados, e que chegava a 26% durante a noite, em comparação com o grupo controle.  O controle noturno é algo particularmente importante para pessoas com diabetes do tipo 1 pois, nos casos mais graves em que não controle da hipoglicemia, podem ocorrer  convulsões, coma e até morte. No total, a melhora proporcionada pelo pâncreas artificial se traduziu num acréscimo de  2,6 horas diárias de níveis de glicose num espectro saudável. 

“A melhora no controle da glicose neste estudo foi impressionante, especialmente durante a noite”, diz Paul Wadwa, professor de pediatria no Centro Barbara Davis para Diabetes Infantil na Universidade do Colorado, que participou do estudo. Dezesseis eventos adversos, todos classificados como menores, ocorreram no grupo do pâncreas artificial durante o estudo, sendo a maioria devido a problemas com o equipamento da bomba de insulina. Três eventos ocorreram no grupo controle. Nenhum caso de hipoglicemia grave ou de cetoacidose diabética ocorreu durante o estudo. 

“Conforme continuamos a busca pela cura da diabetes do tipo 1, produzir uma tecnologia de pâncreas artificial que seja segura e efetiva, como a tecnologia utilizada nesse estudo, disponível para crianças com diabetes no tipo 1, é um grande passo para melhorar a qualidade de vida e a administração da doença nas crianças”, disse o diretor da NIDDK Griffin P. Rodgers. 

Publicado em 15/09/2020