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Pesticidas podem beneficiar algumas espécies de mosquitos, ao invés de matá-las

Resistentes às substâncias, os insetos prosperam em cenários sem predadores e competidores

O inseto predador conhecido como “donzelinha”. Foto: Jennifer Weathered/Utah State University

O senso comum de que pesticidas servem para reduzir ou eliminar espécies de insetos pode nem sempre estar correto. Os pesquisadores Jennifer Weathered e Edd Hammill descobriram que o impacto de pesticidas agrícolas sobre populações de insetos aquáticos pode variar, e resultar em diferentes vencedores e perdedores ecológicos dentro das comunidades aquáticas.

Embora os pesticidas tenham reduzido os números de muitas espécies, a evolução da resistência aos defensivos permitiu que o mosquito Wyeomyia abebala na verdade se beneficiasse da aplicação do pesticida Dimenthoate. Este efeito parece ter ocorrido porque os mosquitos resistentes a pesticidas foram capazes de colonizar hábitats onde o número de predadores e competidores era menor, uma consequência direta do Dimenthoate. Os resultados foram publicados na última edição da revista Oecologia.

Weathered e Hammill, respectivamente estudante e professor da Faculdade de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Utah, conduziram extensas análises de comunidades de invertebrados aquáticos em bromélias tropicais. Eles descobriram que a biodiversidade dos invertebrados foi reduzida nas bromélias expostas a pesticidas, em comparação com os conjuntos de espécies situadas em áreas não-agrícolas. Surpreendentemente, porém, as bromélias das áreas onde havia uso de pesticidas exibiram altas densidades de mosquitos da espécie W. abebala.  

“Nossos bioensaios de toxicidade mostraram que os W. abebala de áreas agrícolas tinham dez vezes mais tolerância ao Dimethoate em comparação com os W. abebala de áreas não agrícolas. Combinando esses experimentos de toxicidade com observações de campo, conseguimos um melhor entendimento dos possíveis mecanismos que determinam os padrões das comunidades em cada um dos locais”, conta Jenn Weathered.

Análises adicionais dos locais tratados com pesticidas indicaram que a eliminação de um inseto predador conhecido como donzelinha, o Mecistogaser modesta, permitiu que mosquitos resistentes à substância colonizassem esses hábitats na ausência de predadores. Os resultados foram confirmados em laboratório e em um experimento de campo, onde a densidade do mosquito foi afetada pelo uso de pesticidas e a presença das donzelinhas, mas não pela localização original das bromélias. “Nossos resultados mostram que a adição de novas substâncias químicas em sistemas naturais pode levar ao resultado oposto do que esperávamos, e que devemos pensar como esses efeitos impactam comunidades inteiras de espécies”, diz Edd Hammill.

Os resultados do estudo indicam que a biodiversidade de invertebrados aquáticos foi fortemente reduzida em hábitats expostos a pesticidas agrícolas, mas que respostas de resistência diferentes de alguns invertebrados permitiram alguns aumentos não intuitivos em espécies que têm potencial de impactar a saúde humana. Os autores enfatizam que, para entender a resposta de estressores incomuns em espécies específicas, a avaliação de comunidades inteiras de organismos precisa ser considerada.

Universidade Estadual de Utah

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