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Pâncreas artificial já é melhor no controle de diabetes do que atuais tratamentos

Estudo conclui que nova tecnologia é mais eficiente que métodos amplamente usados, como injeções diárias de insulina

Novo método pode eliminar necessidade de testes de sangue frequentes. Foto: Shutterstock

Um estudo clínico envolvendo várias instituições analisou um novo sistema pancreático artificial — que automaticamente monitora e regula os níveis de glicose no sangue —, e descobriu que essa tecnologia é mais eficaz do que os tratamentos existentes atuais para pessoas com diabetes tipo 1. O estudo foi liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado, nos EUA, e publicado na revista New England Journal of Medicine.

A pesquisa mostrou que o sistema melhorou o controle da glicose no sangue dos participantes tanto durante o dia como durante noite. A noite é um desafio comum para crianças e adultos com diabetes tipo 1, porque a glicose no sangue pode cair para níveis perigosamente baixos quando uma pessoa está dormindo. 

O pâncreas artificial, também conhecido como controle de circuito fechado, é um sistema geral de tratamento de diabetes que rastreia os níveis de glicose no sangue usando um monitor contínuo de glicose (CGM) e fornecendo automaticamente o hormônio insulina quando necessário, através uma bomba de insulina. O sistema substitui a necessidade de testes por picada no dedo e de várias injeções diárias de insulina.

O Estudo Internacional de Diabetes (iDCL) envolve cinco protocolos clínicos separados de pâncreas artificial implementados por dez centros de pesquisa diferentes, incluindo a Universidade do Colorado. O estudo de seis meses foi a terceira fase de uma série de ensaios. Foi realizado com participantes vivendo suas vidas cotidianas normais, para que os pesquisadores pudessem entender melhor como o sistema funciona em rotinas típicas.

“Testar a segurança e a eficácia de novas tecnologias em situações reais é essencial para provar a usabilidade desses sistemas por pessoas com diabetes e obter um melhor controle diário dos níveis de glicose no sangue”, diz Guillermo Arreaza-Rubín, diretor do Programa de Tecnologia em Diabetes do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais (NIDDK), que financiou a pesquisa.

O estudo envolveu 168 participantes com no mínimo 14 anos e com diabetes tipo 1. Eles foram designados aleatoriamente em dois grupos: um usava o sistema pancreático artificial, chamado Control-IQ, e o outro era tratado com uma terapia de bombeamento de insulina por sensor (SAP), que não ajustava automaticamente a insulina ao longo do dia. Os participantes tiveram contato com a equipe do estudo a cada duas ou quatro semanas para baixar e verificar os dados do dispositivo. Nenhum monitoramento remoto dos sistemas foi realizado, para que o estudo refletisse o uso no mundo real.

Os pesquisadores descobriram que os usuários do sistema pancreático artificial aumentaram significativamente a quantidade de tempo em que os níveis de glicose no sangue permaneceram dentro do intervalo desejado (de 70 a 180 mg/dL), em uma média de 2,6 horas por dia a mais desde o início do teste. O tempo com os níveis dentro desse intervalo no grupo SAP permaneceu inalterado por seis meses. Usuários do pâncreas artificial também mostraram melhorias no tempo gasto com glicose alta e baixa, hemoglobina A1c e outras medidas relacionadas ao controle do diabetes em comparação com o grupo SAP.

Duas vantagens do estudo foram a alta aderência ao uso do dispositivo em ambos os grupos e a taxa de 100% de retenção nos participantes. Durante os testes, nenhum evento de hipoglicemia severa ocorreu em ambos grupos. A cetoacidose diabética ocorreu em um único participante no grupo do pâncreas artificial, devido a um problema no equipamento que bombeia a insulina.

A tecnologia Control-IQ foi derivada de um sistema originalmente desenvolvido na Universidade da Virgínia (UVA) por uma equipe liderada por Boris Kovatchev, diretor do Centros de Tecnologia para Diabetes da UVA, com apoio financeiro do NIDDK. Nesse sistema, a bomba de insulina é programada com algoritmos de controle avançados baseados em um modelo matemático que usa as informações de monitoramento de glicose da pessoa para ajustar automaticamente as doses de insulina. A empresa Tandem Diabetes Care enviou os resultados à agência reguladora dos EUA Food and Drug Administration para aprovação da venda do sistema Control-IQ.

“Este sistema de pâncreas artificial tem várias características únicas que melhoram o controle da glicose, bem além do que é possível usando métodos tradicionais”, diz Kovatchev. “Em particular, existe um módulo de segurança especial dedicado à prevenção da hipoglicemia, e há um controle intensificado gradualmente durante a noite para atingir níveis quase normais de açúcar no sangue todas as manhãs”.

Kovatchev foi co-autor principal do estudo com os colegas Sue A. Brown, da UVA, e Roy Beck, do Centro de Pesquisas Médicas Jaeb, na Flórida, que foi o centro de coordenação do estudo. 

“Este estudo demonstrou que, em participantes com diabetes tipo 1, o uso do sistema Control IQ levou a um melhor controle da glicose durante o dia e a noite por uma ampla faixa de idades, incluindo adolescentes e idosos”, diz o coautor R. Paul Wadwa, professor associado de pediatria no Centro Barbara Davis para Diabetes Infantil na Universidade do Colorado. “Agradecemos muito o envolvimento dos participantes e o trabalho árduo das equipes de estudo para concluir este importante estudo. Esperamos que o sistema estudado ofereça potencialmente uma opção de tratamento para beneficiar as pessoas com diabetes tipo 1”.

Universidade do Colorado