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Nos EUA, Scientific American manifesta apoio a candidato Democrata

Pela primeira vez em seus 175 anos de história a revista expressou a seus leitores a preferência por uma candidatura ao cargo de líder dos EUA, e explicou as razões em editorial.

Crédito: Ross MacDonald

Pela primeira vez em seus 175 anos de história, a revista Scientific American expressou preferência por um candidato ao posto de presidente dos EUA.  Num editorial publicado no mais recente número da revista americana, e que também foi disponibilizado em seu site, os editores anunciam  seu apoio ao candidato Joe Biden, do partido Democrata, e exortam o leitor a apoiar esse candidato, argumentando que se trata de um escolha “de vida ou morte”.

O longo texto dedica tanto espaço a analisar as propostas de Biden para áreas como meio-ambiente e o combate à pandemia de COVID-19 quanto a criticar a atuação do candidato Republicano, Donald Trump, como presidente do país.

Os editores recordam a forma como  Trump lidou com a pandemia. Ele falhou em organizar um sistema capaz de assegurar a disponibilidade em larga escala de material médico e testes para a doença. Durante meses se opôs a uma medida legal que liberava US$ 25 bilhões em fundos para a realização de testes, enquanto afirmava que o acesso a testes era fácil no país, o que não era verdade.Trump também falhou em orientar o país sobre a importância do uso de máscaras como mecanismo de controle da propagação da pandemia. Ao contrário, tanto ele quanto seu vice, Mike Pence, fizeram questão de não usar máscara durante suas aparições em público e para mídia. E também demonstrou apoio às pessoas que violaram as medidas de distanciamento social que foram instituídas pelos governos estaduais e municipais.

Trump  também procurou minimizar a gravidade do risco representado pelo novo coronavírus, comparando-o com uma gripe, embora soubesse bem  que não era o caso, tal como revelam as gravações de entrevistas feitas no começo da pandemia entre ele e o jornalista Bob Woodward, que foram recentemente disponibilizadas. E a Casa Branca chegou a produzir material atacando pessoalmente Anthony Fauci, a principal autoridade médica no campo das doenças infecto-contagiosas dos EUA. Quando questionado sobre seu papel no desastroso quadro criado pela pandemia no país, onde o numero de contaminados está perto de 6,8 milhão e o de mortos passa de 200 mil, Trump declarou não ter nenhuma responsabilidade.

Dentre as propostas de Biden que a revista apóia estão a criação de um corpo especial de funciona;raios de Saúde com 100 mil integrantes para aperfeiçoar os cuidados de saúde e no país; a destinação de US$ 34 bilhões para que as escolas possam adquirir infra-estrutura e treinamento para reabrirem com segurança; e US$ 2 trilhões a serem investidos até 2035 no setor das fontes energéticas não poluentes. Os editores ponderam que não é possível ter certeza de que Biden terá acesso aos recursos e meios para materializar essas e outras promessas. Mas que Biden respeita o conhecimento que é produzido pela ciência, e se orienta por ele.