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Ciclo de radiação solar poderia atrasar em uma década retorno de viagens à Lua

Novo estudo sobre eventos extremos de clima espacial alerta para riscos de realizar missões espaciais entre os anos de 2026 e 2030,e sugere apressar retomada de voos ao satélite.

As tempestades solares são um exemplo de eventos climáticos espaciais extremos. Créditos: NASA

A ocorrência de  eventos climáticos espaciais extremos como  tempestades solares na próxima década poderá se revelar um impedimento à retomada aos voos tripulados para a exploração da Lua. É o que sugere um recente estudo  da Universidade de Reading publicado esta semana, que se baseou na  análise de dados sobre o clima espacial coletados nos últimos 150 anos. O alerta dos pesquisadores se mostra ainda mais significativo diante das incertezas do projeto Artemis, cujo cronograma de voos para a superfície do satélite ainda é incerto.

O projeto Ártemis é uma iniciativa da  Nasa, e a previsão inicial era de que os voos se dessem a partir de 2021. Hoje, porém, o mais provável é que a primeira missão seja lançada de fato no final da década. Caso se conforme esse adiamento, os astronautas correm o risco de enfrentar um dos períodos mais movimentados de clima espacial extremo.

Isso porque, segundo aponta a pesquisa, as tempestades solares, assim como outros eventos espaciais extremos, têm maior probabilidade de ocorrer no início dos ciclos solares pares e no final de ciclos solares ímpares. É justamente um ciclo solar ímpar, o ciclo 25, que está se iniciando neste momento.

“Essas novas descobertas devem permitir que façamos  melhores previsões sobre o clima espacial do atual ciclo solar, que durará mais ou menos uma década. Quaisquer missões espaciais importantes nos próximos anos terão uma probabilidade menor de encontrar eventos extremos de clima espacial durante a primeira metade do ciclo solar do que na segunda”, disse Mathew Owens, da Universidade de Reading.

Entendendo o clima espacial

A duração de  cada ciclo solar é estimada em 11 anos. Durante um ciclo, os pólos magnéticos norte e sul do Sol trocam de lugar. O fenômeno pode ser observado através do número de manchas solares na superfície do astro.

Durante um ciclo, ocorre o que chamamos de período de máximo solar, quando a atividade do Sol é máxima, e um período de mínimo solar. Pesquisas anteriores já haviam provado que a probabilidade de um clima espacial moderado é maior durante o período de máximo solar e em ciclos onde se observa um maior número de manchas solares durante a fase de pico de atividade.

Já o clima espacial extremo é impulsionado por enormes erupções de plasma do Sol. As chamadas de ejeções de massa coronal chegam à Terra, causando uma perturbação geomagnética global. Devido a sua raridade, há poucos dados que permitam a identificação de padrões, e este tipo de evento é extremamente  difícil de prever.

Novas descobertas

As conclusões do novo estudo foram possíveis graças à aplicação de um método inédito. Pela primeira vez, cientistas utilizaram  modelagem estatística para estimar a peridiocidade das tempestades solares.  A partir de dados registrados por instrumentos terrestres localizados no Reino Unido e na Austrália que medem os campos magnéticos na atmosfera, a equipe pode identificar a frequência da ocorrência dos eventos extremos.

A análise mostrou que os eventos extremos  seguem o mesmo padrão que aqueles denominados moderados. Isto é, há mais chances de que eles ocorram durante os períodos de maior atividade solar, e quando há maior número de manchas solares. Porém, a descoberta mais importante foi que as tempestades solares têm maior probabilidade de ocorrer no início dos ciclos solares pares e no final dos ciclos ímpares. Atualmente, nós estamos no ciclo 25, que começou em dezembro de 2019.

Essa característica seria uma consequência da orientação do campo magnético em larga escala do Sol, que gira no máximo solar, apontando para o campo magnético da Terra no início dos ciclos pares e no final dos ciclos ímpares.

Apesar de ainda serem necessárias mais investigações para entender as origem do fenômenos, a pesquisa já deve ajudar no planejamento das próximas missões espaciais.  A indicação é que se apressem os preparativos para a retomada dos voos tripulados à Lua. De forma que eles ocorram  nos próximos cinco de anos. Desta forma, seriam evitados os  eventos extremos de clima espacial que devem ocorrer entre 2026 e 2030.

Por fim, os pesquisadores recordam que ainda à época das missões do projeto Apollo, ocorreu em agosto de 1972 uma grande explosão solar. Essa explosão se deu no período de intervalo entre as missões 16 e 17, e não havia nenhum astronauta no satélite ou a caminho. Se houvesse astronautas a caminho da Lua ou em órbita, a explosão solar poderia ter acarretado falhas técnicas e problemas de saúde.

 

Publicado em 25/05/2021

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