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Estudo apóia associação entre uso de finasterida e pensamentos suicidas

Pesquisa usou dados globais, coletados pela OMS. Mas ainda não se sabe explicar o que associa uso de popular medicamento para perda de cabelo e tendências suicidas

Crédito: Envato Elements

Na última década, cresceram as preocupações envolvendo o uso da finasterida, um medicamento empregado no tratamento da calvície masculina e de problemas de próstata. Grupos e organizações têm reportado  a ocorrência de eventos adversos psicologicamente, bem como de comportamento suicida, entre usuários da substância. Um novo artigo, publicado na revista Jama Dermatology, ligado à Associação Médica Americana, traz os resultados de um estudo que procurou avaliar essas afirmações

 “Nesse estudo, nós encontramos um sinal, mas precisamos de mais investigações para entender se existe uma explicação biológica”, diz Quoc-Dien Trinh, um dos autores do artigo, que é médico no hospital universitário da Escola de Medicina da Universidade Harvard.  “De vez em quando, eventos adversos podem atuar como profecias autorrealizáveis:  quanto mais pessoas sabem dos perigos, maior a probabilidade de que elas relatem problemas. Mas o que vemos aqui não é coincidência. Existe um sinal claro, e nos leva a questionar o motivo.” 

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David-Dan Nguyen, que é bolsista de pesquisa no mesmo hospital,  quis avançar na exploração sobre a associação ente finasterida e tendências suicidas e eventos adversos psicologicamente.  “Em 2012, foram publicados os primeiros estudos  sobre eventos adversos associados à finasterida, gerando um maior interesse sobre a síndrome pós-finasterida”, explica. Daí surgiu a ideia de comparar os relatórios datados de antes e depois de 2012 para explorar o quanto esse aumento da consciência do medicamento impactou nos relatos sobre eventos adversos.  “Além disso, nosso conjunto de dados nos permitiu facilmente examinar outros medicamentos utilizados no tratamento da calvície padrão masculina e hiperplasia benigna da próstata para explorar mecanismos farmacológicos e mitigar frustrações por indicações”, diz Nguyen. 

 A equipe utilizou dados da VigiBase, que coleta informação  de todas as reações adversas a medicamentos em mais de 153 países e contém mais de 20 milhões de relatórios de segurança. A VigiBase apresentou  356 relatos  de tendências suicídas e 2926 relatos de eventos adversos psicológicos entre pessoas que tomavam a finasterida. Os pesquisadores encontraram um sinal desproporcional para tendências suicidas. depressão e ansiedade entre as pessoas que tomavam a finasterida para perda de cabelo que tinham 45 anos ou menos. No estudo, os pesquisadores também analisaram relatos envolvendo  outros medicamentos usados para perda de cabelo e tratamento para próstata aumentada, mas não encontraram nada significante. 

O estudo registrou um grande aumento nos relatos de  tendências suicidas após o ano de 2012, coincidindo com reportagens publicadas na mídia sobre as preocupações envolvendo o medicamento. Eles não encontraram um sinal para todos os outros medicamentos utilizados para comparação. A equipe criou a hipótese de que “os relatos podem estar sendo estimulados” — uma consciência maior da preocupação pode levar a uma atenção maior para os eventos adversos e seus relatos. Uma hipótese alternativa que pode talvez explicar essas descobertas era de que os efeitos colaterais bem estabelecidos da finasterida podem ter um peso maior em pacientes mais jovens com calvice (perda de cabelo), fazendo com que esses pacientes apresentassem risco maior para  ansiedade, depressão e tendências suicidas. 

Os autores notam que provavelmente haja uma subnotificação de  eventos adversos às autoridades médicas que podem encaminhá-los  para inclusão na VigiBase.  E, como em todos os estudos observacionais, esse trabalho não conseguiu endereçar diretamente a causa da questão. 

 “Nossas descobertas sugerem que o risco de tendências suicidas e eventos psicológicos adversos devem ser levados em consideração quando prescrevem finasterida para pacientes mais jovens com calvície masculina que podem estar mais vulneráveis a esses efeitos”, diz Trinh. “E que são necessários mais estudos para tentar entender quais podem ser as causas dessa associação.” 

 

Publicado em 12/11/2020

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