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Encontro com outra galáxia está alterando estrutura da Via Láctea

Descoberta contesta ideia tradicional de que nossa galáxia formaria um sistema relativamente estático

Nuvens de magalhães no céu noturno do
Parque Nacional de Bromo-Tengger-Semeru. Créditos: Gilbert Vancell- gvancell.com


A Via Láctea, o disco de formato espiral que abriga a Terra, o Sol e bilhões de outras estrelas e planetas, está sendo puxado, dobrado e deformado, com grande violência, devido à ação gravitacional exercida por  uma galáxia menor, a Grande Nuvem de Magalhães (ou LMC em inglês). 

Os cientistas acreditam que a LMC penetrou na  Via Láctea cerca de 700 milhões de anos atrás — pouco tempo, segundo os padrões cosmológicos. Devido ao grande conteúdo de matéria escura que possui a LMC afetou significativamente a estrutra e o movimento de nossa galáxia. 

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Os efeitos ainda estão sendo observados hoje e devem forçar uma revisão de nossas ideias de como se deu a evolução da Via Láctea, dizem os astrônomos. 

A LMC, que agora tornou-se uma galáxia satélite da Via Láctea, pode ser vista como uma nuvem fraca céu noturno do Hemisfério Sul.  Ela foi vista pelo explorador português do século 16 Fernando de Magalhães.    

Pesquisas anteriores revelaram que a LMC, assim como a Via Láctea, está cercada por um halo feito de matéria escura, que são partículas misteriosas que  absorvem nem emitem luz, mas exercem efeitos gravitacionais dramáticos sobre o movimento de estrelas e gases no Universo. 

Utilizando um sofisticado modelo estatístico que calculou a velocidade das estrelas mais distantes da Via Láctea, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Edinburgo constatou que  a LMC influenciou na movimentação de nossa galáxia. O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy

Os pesquisadores descobriram que a grande atração gravitacional exercida pelo halo de matéria escura da LMC está puxando e retorcendo o disco da Via Láctea a 32 km/s, ou 115,200 quilômetros por hora, em direção à constelação de Pegasus. 

Para sua surpresa deles, os astrônomos  também descobriram que a Via Láctea não estava se movendo em direção a atual localização da LMC, como acreditava-se anteriormente, mas em direção a um ponto anterior da trajetória da galáxia satélite. 

Eles acreditam que isso ocorre porque a LMC, atraída por uma imensa força gravitacional, está se distanciando da Via Láctea a  velocidade de 370 km/s, cerca de 1,3 milhões de quilômetros por hora. 

Os astrônomos dizem que é como se a Via Láctea estivesse tentando atingir um alvo em altíssima velocidade, mas não está mirando muito bem. 

Essa descoberta irá ajudar os cientistas a desenvolverem novas técnicas de modelagem que descrevam  a forte dinâmica que acontece entre as duas galáxias.

Agora, os astrônomos  pretendem identificar qual foi a direção que a LMC seguia quando penetrou na Via Láctea no passado e quando exatamente isso ocorreu. Tal descoberta poderá revelar a quantidade e a distribuição de matéria escura na Via Láctea e a LMC com detalhes sem precedentes. 

“Nós conseguimos mostrar que as estrelas, mesmo a distâncias tão grandes  como  300 mil  anos luz de distância, retém uma memória da estrutura que a Via Láctea possuía antes que a LMC a penetrasse”, diz Michael Petersen, autor principal e Pesquisador de Pós-Doutorado Associado, na Escola de Física e Astronomia. 

“Essa descoberta definitivamente desfaz a ideia de que nossa galáxia esteja em algum tipo de estado de equilíbrio. Na verdade, essa entrada recente da LMC está causando perturbações violentas na Via Láctea”, diz  Jorge Peñarrubia, coautor do artigo.

 

Publicado em 24/11/2020

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