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COVID continuou se espalhando por Wuhan depois que autoridades acharam ter controlado a doença

Levantamento com mais de 60 mil moradores mostra que houve centenas de casos assintomáticos que não foram identificados à época

 

A imagem maior mostra o total de resultados positivas para os testes de anticorpos IgG e IgM para SARS-CoV-2 na província de Hubei e outras províncias da China, nas quais havia um total de amostras superior a 300 casos.  O detalhe mostra os casos assintomáticos de SARS-CoV-2 identificados na cidade de Wuhan, na Provincia de Hubei e na China. Créditos: Duan S, et al. (2021) (CC-BY 2.0)


A cidade de Wuhan, na China, foi o primeiro lugar no planeta a reportar um caso de COVID-19. E, entre os meses de dezembro de 2019 e maio de 2020, registrou aproximadamente dois terços de todos os casos de COVID-19 na China. Agora, em um estudo publicado  na revista
PLOS Neglected Tropical Diseases  que analisou mais de 60 mil chineses saudáveis em busca de sinais de anticorpos contra o  SARS-CoV-2, uma equipe de pesquisadores concluiu que milhares de habitantes da cidade chinesa experimentaram  casos assintomáticos de COVID-19 mesmo depois que as autoridades do país já achavam que a infecção estava sob controle.  

Os testes rápidos para anticorpos podem diagnosticar tanto indivíduos que estejam presentemente infectados pelo vírus SARS-CoV-2 quanto pessoas que já tiveram a doença e se recuperaram. O teste IgG positivo detecta pessoas que já foram infectadas. Já o teste IgM para anticorpos indica  uma infecção recente ou em andamento. Em conjunto, os testes podem nos ajudar a entender melhor o avanço das infecções assintomáticas em uma população ao longo do tempo. Em Wuhan, o número de casos de COVID-19 atingiu o pico em fevereiro de 2020, e a cidade a princípio foi declarada livre da doença no fim de abril, embora  pequenos picos de casos tenham ocorrido nos meses posteriores. 

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No novo trabalho, Xue-Jie Yu, da Universidade de Wuhan, e seus colegas, estudaram a prevalência de anticorpos IgG e IgM em amostras sanguíneas coletadas entre 6 de março e 3 de maio, em 2020, de 63.107 indivíduos na China. Todas as pessoas testadas eram saudáveis e passaram por testes antes de voltarem ao trabalho. 

Refletindo o grande número de casos que ocorreu em Wuhan, a porcentagem de pessoas que apresentou resultado positivo para anticorpos de SARS-CoV-2 no estudo — cerca de 1,68% — era significativamente maior do que a registrada em outras regiões da China, onde a média de resultados positivos era de 0,38%. Ainda nesse sentido, partindo da taxa positiva de IgM de 0,46% obtida em Wuhan, os autores estimaram que milhares de pessoas em Wuhan foram infectados de maneira assintomática entre março e maio de 2020, quando não houve casos clínicos de COVID-19 reportados oficialmente. 

“Nós concluímos que… ocorreu uma grande quantidade de casos assintomáticos de SARS – CoV-2 em Wuhan mesmo depois da cessação dos casos clínicos”, dizem os pesquisadores. “Mesmo cepas mais brandas de  SARS-CoV-2 ainda podem causar sintomas em indivíduos que sejam extremamente suscetíveis. E essas cepas também podem se modificar para se tornarem extremamente virulentas, o que pode reintensificar a epidemia de COVID-19 na China.” 

 

Publicado em 07/01/2020

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