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A COVID-19 está mudando a ciência, e para melhor

A pandemia está nos obrigando a tornar a pesquisa mais aberta, mais eficiente e mais colaborativa

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A pandemia de coronavírus é uma crise terrível, é claro. Mas também apresenta uma oportunidade para mudar a maneira como a pesquisa é conduzida e compartilhada, para que a ciência possa se tornar mais aberta, mais eficiente e mais colaborativa.

Na ResearchGate, uma rede profissional de cientistas que defende a pesquisa aberta, somos otimistas e pragmáticos. Estamos trabalhando por um mundo aperfeiçoado  pela ciência. Descobertas científicas são necessárias, agora e no futuro.

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O modo como os pesquisadores estão respondendo à COVID-19 agora pode servir como um ensaio para esse futuro. Os cientistas que publicam dados, idéias e informações relacionadas à pandemia de coronavírus no ResearchGate, por exemplo, estão indo contra contra os velhos padrões da cultura científica.

É muito mais provável que os pesquisadores publiquem pesquisas em estágio inicial numa plataforma do que costumamos ver em outros canais. Eles estão publicando conteúdos mais curtos, mais concisos e com mais dados. É realmente emocionante ver os pesquisadores divulgando cada vez mais as pré-impressões dos seus artigos. A urgência e a extensão desta crise está incentivando a comunidade global de pesquisadores a um compartilhamento maior, ultrapassando disciplinas, domínios e setores mesmo enquanto  as fronteiras permanecem fechadas. O vírus Sars-CoV-2 não respeita fronteiras, então devemos apoiar os pesquisadores para que seu trabalho não seja limitado por elas.

A maneira como uma pesquisa é validada e compartilhada não mudou muito nas últimas décadas, ou talvez nem tenha mudado ao longo do último século. Ainda confiamos em sistemas misteriosos de revisão por pares e o simpósio ou conferência presencial  ainda é o principal meio para trocar  conhecimento. A crise da COVID-19 desafia ambas as tradições: a primeira porque o sistema é muito lento (pode levar de seis a nove meses para que o manuscrito de um cientista seja revisado por pares e apareça em uma revista) e a segunda porque não é mais segura. Precisamos tentar novas maneiras de fazer as coisas, em tempo real, e as idéias que funcionam neste momento de crise nos servirão bem no futuro. O ritmo exigido de nós neste momento nos trarão a chance de viver mudanças, tanto em pequena quanto em larga escala.

Na ResearchGate, trabalhamos constantemente para melhorar a produtividade científica e permitir descobertas que são muito relevantes. A COVID-19 está nos incentivando a fazer o possível para apoiar os pesquisadores a se tornarem mais eficientes e mais abertos. Precisamos nos conectar com todos os atores da ciência para promover essa mudança: financiadores, editores, instituições e até nações precisam se unir e repensar o que a ciência poderia ser, e como ela poderia – e deve – gerar o desenvolvimento de sociedades que sejam mais inteligentes, mais inclusivas e mais resilientes.

O futuro da ciência é certamente internacional, interdisciplinar e aberto. Sob a ótica da COVID-19, iniciativas como a  a Coalizão por Inovações para Preparação contra Epidemias (CEPI) destacam-se como líderes no sentido de aproximar doadores, filantropos e empresas nacionais para resolver problemas. Existem também muitos exemplos de colaborações interdisciplinares e internacionais que dão esperança em nossas habilidades de criar uma nova cultura da ciência, desde o CERN (física) ao Atlas de Células Humanas (genômica). A própria página da comunidade COVID-19 da ResearchGate foi projetada para incentivar a colaboração interdisciplinar em torno da pandemia de coronavírus.

As ferramentas que desenvolvermos durante a crise do COVID-19 devem nos equipar para trabalhar juntos para além das fronteiras, a fim de enfrentar futuras crises. Nossa atuação coletiva diante das mudanças climáticas, por exemplo, tem sido lamentavelmente inadequada até o momento. Vamos usar essa crise para aprender a melhorar a ciência, e vamos perseverar juntos nesses esforços até depois  da crise. Este momento é uma oportunidade para pavimentar os novos caminhos que seguiremos amanhã.

Ijad Madisch, cofundador e CEO do Research Gate.

Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a opinião de Scientific American

Publicado em 23/04/2020

 

 

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